A Universidade Sénior: lugar de partilha(s)

Projecto Caminhantes

Projecto Caminhantes

A possibilidade que tive, no ano lectivo de 2012-13, de integrar o corpo docente de uma universidade sénior leva-me a tecer algumas considerações, terminado que está o período em causa.

Pegando nas sábias palavras do filósofo e orador Cícero (106 a.C a 43 a.C), lembrando que “Na velhice deixar de se fazer o que já não se pode fazer não é problema, problema é deixar de fazer o que ainda se pode fazer”, começo por expressar o meu contentamento pelo trabalho que, em conjunto com um grupo de alunos da universidade sénior do Montijo, levámos a cabo. A aprendizagem e a capacitação  de adultos ao longo da vida, bem como o seu envolvimento activo em projectos e actividades  que melhorem os seus conhecimentos, capacidades e competências  devem ser entendidos, cada vez mais, como uma prioridade política, que, entre outros aspectos, reforçam a coesão social e intergeracional e contribuem para o desenvolvimento de uma massa crítica cada vez mais esclarecida, empreendedora e com papel determinante nesta fase crítica da história da humanidade.

O envolvimento deste público específico, referindo-me aos alunos das universidades seniores, é mais facilmente conseguido e coroado de êxito quanto mais práticos e activos forem os curricula  à sua disposição. Assim, devem os professores/formadores enveredar, nas suas abordagens, pela diversificação de caminhos e estratégias, procurando reduzir os  modelos que privilegiam, frequentemente, as abordagens exclusivamente teóricas e que reservam, para os alunos, o papel de meros receptores. Uma outra questão que me parece altamente relevante para o sucesso da formação de adultos e para o trabalho levado a cabo nas universidades seniores prende-se com a necessidade de se valorizar os saberes, as competências e a experiência profissional adquiridos, pelos alunos, ao longo da vida e que podem traduzir-se numa mais valia para todos, desde que devidamente enquadrados.

A motivação dos alunos com que trabalhei ao longo deste ano lectivo foi-se construindo e crescendo, pelo que constatei, não só através dos projectos em que se envolveram e das experiências e aprendizagens daí decorrentes, mas também por lhes ser dada a possibilidade de aprender e fazer de maneira diferente, numa relação de confiança com os seus pares e com o professor. Esta tónica foi uma constante ao longo do ano lectivo e todos beneficiámos com esse clima de aprendizagem e, sobretudo, partilha. O envolvimento foi, a um tempo, efectivo e afectivo, com reconhecidas vantagens.

Na educação e formação de adultos partilha-se muita coisa: o saber, a experiência, a motivação, a vontade de aprender e ensinar, a responsabilidade, o respeito pelo próprio e pelo próximo…  Nas universidades seniores, em particular, aprender e ensinar, “estar lá”, são como que uma socioterapia, em que se  valoriza não só o eu-individual, a alteridade, na relação com o outro, construindo-se, igualmente, a diferença, que é a base da vida social e fonte permanente de tensão e conflito, que importa saber gerir.

by: Salou

Uniseti, Montijo

Sobre Salou

Sara Loureiro (SALOU) segue um caminho que reconhece que é o Seu: o da aprendizagem e busca constantes.
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