Carta de amor

Amo-te

Amo-te

Em-Quietude, Janeiro de 2013

Olá!

Nas últimas semanas tenho pensado frequentemente em ti.  Tenho pensado no nosso reencontro… já não falta muito… prefiro pensar assim. E enquanto em ti vou pensando, sinto que esboço um leve sorriso que me adoça o rosto, me incendeia o coração e me ilumina todos os sentidos. Olha, como está a acontecer agora, neste preciso momento…

Vejo-te…rubra, num corpo singelo e delicado. Vejo-te…ora assustada ou confiante, tranquila ou exultante, frágil ou resiliente. Vejo-te, sim!  Nestes meus pensamentos deambulatórios cheguei a pensar que esse  teu rubor poderia ser de vergonha, mas achei que não fazia sentido. Vergonha de quê, afinal?! Timidez, talvez seja isso. Uma timidez que me encanta. Ah, se soubesses como ficas linda no meio do trigal. Singela, mas ao mesmo tempo imponente. De fazer inveja ao próprio trigo, por si só resplandecente de luz, mas também ele sequioso de ti.

Gosto de pensar no trigal, sim. O nosso trigal! De te ver ruborizar com a minha presença e com a forma como eu te acaricio para te deixar incólume. Apenas um leve toque, a mais não me atreveria… na certeza de que a minha vontade seria outra! Abraçar-te, cingir-te, sentir-te, levar-te comigo… perpetuar o momento… Mas não! Tal não seria possível! Não suportarias que eu te fizesse isso. Não sobreviverias, eu sei! Por isso, continuaremos a amar-nos no trigal: eu olho para ti, toco-te e tu respondes,  escarlate, brilhante, rutilante… Teu corpo esguio  a roçar o meu, insinuante, mas simultaneamente transbordante de timidez, a timidez própria dos primeiros encontros e carícias, sem princípio, nem meio e muito menos fim.  Tanto trigal para nos acolher, mas sempre, sempre por pouco tempo.  Há que aproveitar! Não nos podemos perder! O instante é apenas isso e voa, irremediavelmente. Mas afinal é tudo isto que  cria o teu encanto, minha papoila brava.

Por isso, jurei que desta vez vou tentar encontrar-te mais cedo! Ainda antes do trigal chegar, vou andar por aí, buscando-te, cheirando-te, sentindo-te, talvez aninhada por aí, à espera que os dias se tornem adultos e que os campos, em gestação acelerada, comecem a dar à luz. E eu vou lá estar, minha papoila! Vou lá estar para te poder ver nascer e exultar contigo.

Até lá, que o rubor esteja contigo e que tu estejas no meio de nós!

Daquele que te ama,

 O doce vento  

Carta escrita por Sara Loureiro no âmbito da iniciativa levada a cabo pela

Câmara Municipal do Montijo.

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Sobre Salou

Sara Loureiro (SALOU) segue um caminho que reconhece que é o Seu: o da aprendizagem e busca constantes.
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